A adolescência é uma fase de crescimento rápido e de transformações físicas, sociais e psicológicas pelas quais o indivíduo passa da infância ao estado adulto. Essa fase apresenta um significado bastante importante na vida de cada indivíduo, requerendo atenção e linguagem especial. O interesse no estudo e no entendimento da adolescência remete ao final do século passado, quando já havia médicos interessados no crescimento e desenvolvimento dos adolescentes e em suas doenças. Na Odontologia, essa especialidade é denominada Odontohebiatria

        A adolescência, do latim “adolesco” que significa crescer, desenvolver-se (Teixeira19, 2005), é uma fase específica do desenvolvimento humano, caracterizada por um período de mudanças e transformações múltiplas, profundas e fundamentais para que o ser humano possa atingir a maturidade e inserir-se na sociedade no papel de adulto (Albuquerque E Simões1 , 2003). Em outras palavras, é a passagem gradual entre a infância e o estado adulto e se caracteriza por profundas transformações psicológicas, somáticas e sociais

             Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS23), a adolescência pode ser inserida na faixa etária entre os 10 e 20 anos, ou seja, a segunda década de vida. Essa fase tem grande significado na vida de cada indivíduo requerendo, assim, atenção e linguagem especial (Bussadori e Masuda2 , 2005). É uma época de conflitos que pode levar a comportamentos variados (Teixeira19, 2005) quando as maiores preocupações estão relacionadas ao temperamento imprevisível, ao uso de drogas, à depressão, ao sexo, aos namoros, à propensão ao suicídio e aos distúrbios alimentares (Bussadori e Masuda2 , 2005). Diante disso, existe a necessidade de atuação de diversos profissionais para um completo entendimento da saúde do adolescente, e para lhe dar um suporte, a fim de que possa conviver em interdependência sadia com a sociedade (Teixeira19, 2005)

                 O interesse para o estudo e o entendimento da fase da adolescência remete ao final do século passado, quando já havia médicos interessados no crescimento e desenvolvimento de adolescentes e em suas doenças. Atualmente, começam a surgir cursos de pós-graduação a fim de formarem profissionais capacitados no atendimento do adolescente de forma integral (Teixeira19, 2005). É importante salientar aos profissionais que cuidam de adolescentes – Hebiatras – “Hebe“ do grego significa puberdade – e aos responsáveis pelo adolescente, que a função do profissional será de coadjuvante ativo no processo, levando-se em consideração que o direcionamento e o apoio nessa etapa são inestimáveis, pois a contribui- ção será a de formar uma geração saudável no conceito mais amplo da palavra (Bussadori e Masuda2 , 2005). A Odontologia, atenta a todas as mudanças ocorridas durante esta fase da vida do jovem, procura dar-lhe atenção especial. O odontohebiatra ocupa-se em cuidar da saúde bucal do adolescente dando ênfase à prevenção e promoção da saúde (Albuquerque e Simões1 , 2003) E também direciona e insere o adolescente em um programa educativo-preventivo e curativo, se necessário, enfocando o aspecto estético e cosmético tão valorizados nessa fase (Bussadori e Masuda2 , 2005).

               Por se tratar de um grupo entre 10 e 20 anos de idade, a atenção à saúde do adolescente inclui um amplo espectro da Odontologia (Valente22 1998). Para a adequada abordagem psicológica do adolescente, é preciso que o profissional conheça as características dessa fase do desenvolvimento, além de gostar de atendê-los, caso contrário, será impossível estabelecer um bom nível de aproximação (Souza17, 1996). Deve-se considerar que, nesse indivíduo em conflito e em desenvolvimento, muitas alterações estão ocorrendo e é de suma importância acompanhá-las. (Bussadori e Masuda2 , 2005).

                 Ao abordar o adolescente, o profissional deve portar-se de forma simples e honesta, sem demonstrar autoritarismo ou excesso de profissionalismo. Para estabelecer um relacionamento confortável, tenha-se o cuidado de não subjugar e intimidar o paciente, uma vez que sua auto-estima está fragilizada (Severo et al. 14, 2004). Autores como Kaplan e Mammel8 (1997), acreditam que conversar com o adolescente como se fosse um paciente pediátrico ou como um indivíduo adulto pode interferir na comunicação e fazê-lo perder a confiança no profissional.

                 No atendimento de adolescentes considerados difíceis, podem ser utilizados métodos psicológicos ou farmacológicos. O diálogo, o método do dizer, mostrar, fazer e a hipnose, são considerados métodos psicológicos adequados para o controle do comportamento do adolescente no consultório odontológico (Carvalho et al. 4 , 1991).

                    Hábitos alimentares alterados podem levar a sérios distúrbios como a anorexia nervosa, um distúrbio de ordem comportamental definido como inanição deliberada e auto-imposta, seguida de busca constante de magreza e medo mórbido de engordar e bulimia nervosa sendo também um distúrbio de comportamento caracterizado pela ingestão compulsiva de grande quantidade de alimentos, alternando-se com ações dirigidas a evitar ganho de peso, como por exemplo, o vômito autoinduzido (Traebert e Moreira 21, 2001). Nesses casos, as alterações bucais são causadas principalmente pela alta ingestão de carboidratos e pela natureza ácida do vômito, que promovem a diminuição do pH do meio bucal (Bussadori e Masuda2 , 2005).

              O profissional que lida com o paciente hebiatra deve incentivá-lo a adotar uma alimentação balanceada, tendo em vista que além da cárie dental, a obesidade também é uma das doenças nutricionais que mais tem aumentado nos últimos anos e está relacionada, em geral, com o sedentarismo, os hábitos alimentares inadequados e a velocidade das refeições. Cerca de 80% dos adolescentes obesos tornam-se adultos obesos, e os fatores de risco, como hipertensão arterial, doenças coronarianas e alterações do perfil lipídico, já ocorrem nesse grupo (Soxman18, 2003; Sanders13, 2004; Bussadori e Masuda2 , 2005).

       Aliados às modificações na dieta, medidas preventivas de auto-cuidado podem ser realizadas diariamente e devem ser sistematicamente recomendadas (Valente22, 1998). Torna-se então necessário reforçar aos adolescentes a importância da higienização correta para a manutenção da saúde bucal, orientando-os e ensinando-os, sempre adequando as conversas a essa faixa etária (Bussadori e Masuda 2 , 2005).

             O uso de drogas entre os adolescentes tem se tornado prática comum. Drogas são substâncias usadas para produzir alterações, mudanças nas sensações, no estado de consciência e no estado emocional. Geralmente o conceito diz que drogas são algumas poucas substâncias ou produtos ilegais como a maconha, cocaína e crack. Porém do ponto de vista da saúde, muitas substâncias legalizadas podem ser perigosas como, por exemplo, o álcool, que também é considerado droga (Albuquerque e Simões 1 , 2003).

          O uso de álcool, por exemplo, pode resultar em xerostomia transitória, aumento da glândula parótida, perda óssea vertical e horizontal, candidíase, acúmulo de placa (Albuquerque e Simões1 , 2003) e ainda segundo Meurman e Vesterinen 11(2000) leucoplasia e aumento do risco de câncer bucal. Já a cárie, doença periodontal e lesões pré-cancerosas são observadas no uso do tabaco.

              O uso de drogas ilícitas como a cocaína resulta em cárie rampante com coloração escura, resistente e sem sensibilidade que é um sinal patognomônico além de outras manifestações como xerostomia, bruxismo, escaras na língua, lesões na mucosa bucal e periodontite generalizada (Albuquerque e Simões1 , 2003). Os usuários de drogas, ao perderem auto-estima, deixam de se preocupar com a higiene bucal, o que acarreta sérios prejuízos, como elevados índices de cárie, placa bacteriana e problemas na gengiva. O tratamento deve também ser preventivo, mas a presença de uma equipe multidisciplinar objetivando a remoção da droga é o mais indicado (Bussadori e Masuda2 , 2005).

              A gravidez na adolescência também é algo que se deve relatar quando o assunto é saúde bucal de adolescentes, pois o número daquelas que passam por esta experiência é alto, e a gravidez durante essa fase pode ocasionar uma série de complicações. Para a realização do tratamento odontológico é necessário um termo de consentimento assinado pelos pais, e o profissional deve estar atento para a saúde geral da paciente, pois ela tem mais propensão a desenvolver hipertensão arterial e diabetes. O risco de parto prematuro e de nascimento de bebes de baixo peso é grande. As tomadas radiográficas devem ser feitas analisando-se o risco/benefício. Deve-se tomar cuidado ainda com a posição de atendimento, não colocando a paciente em posição supina, que pressiona o diafragma podendo causar dificuldade respiratória. Os achados bucais mais freqüentemente encontrados são: erosão dental, problemas periodontais como gengivite e hiperplasia gengival, tumores como o granuloma piogê- nico, mudanças salivares e cárie (Soxman18, 2003; Hilgers et al. 7 , 2003).

Assim a inclusão do adolescente em programas preventivos direcionados a eles, e uma abordagem cuidadosa, criteriosa e sensível por parte do profissional podem contribuir para que cheguem à vida adulta de maneira saudável. Isto requer do profissional um preparo mais aprofundado no que diz respeito ao conhecimento desta importante fase do desenvolvimento humano que é a adolescência.